Às vésperas de um clássico na Luz, a questão que todos os analistas de futebol tentam decifrar é: por que razão o Benfica parece render menos e, por vezes, até se eclipsar, quando enfrenta o FC Porto em casa, apresentando-se como uma equipa comum?
Muitos acreditam que se trata de um bloqueio psicológico coletivo, originado fora dos vestiários pela insegurança do torcedor comum, e que se propaga a todos, desde dirigentes e jogadores até treinadores e equipa técnica. Isto levou ao termo “medo cénico”. De fato, qualquer equipa que jogue condicionada pelo receio de perder está mais propensa a sair derrotada, algo frequentemente observado em equipas menores quando enfrentam grandes equipas e jogadores de renome. Antigamente, também se falava do “peso das camisolas”, influenciando o jogo, o adversário e os árbitros.
É crucial refletir sobre como a atitude pode ser uma estratégia de sucesso. Uma equipa que se impõe desde o início num terreno adversário, intimidando o oponente e causando-lhe incerteza e ansiedade, tem logo aí uma vantagem. O FC Porto tem consciência disto e, assim, começa a preparar o jogo na Luz muito antes, algo que muitos acreditam estar no seu ADN ou ser parte da sua natureza. Quando visita a Luz, o FC Porto representa não só uma região mas também uma postura anti-sistema, sendo uma equipa treinada no limite da fé, confiança e resistência.
Contudo, o Benfica não pode nem deve adotar as mesmas estratégias psicológicas. Seria inconcebível o Benfica defender o sul contra o norte e abordar este ou qualquer jogo com uma postura semelhante à de um guerreiro japonês da Segunda Guerra Mundial, para quem a derrota era desonrosa. O Benfica possui uma cultura diferente, não necessariamente melhor ou pior, mas uma cultura nacional e até já internacional. Esta cultura deve fazer com que, ao invés de um intimidante medo cénico, se sinta uma motivadora superioridade cénica. Algo que não se desenvolve numa semana ou numa temporada, mas se solidifica com vitórias.

