Se o Benfica tivesse mantido este nível desde o início da temporada, agora estaria entre os grandes na fase a eliminar da Liga dos Campeões.
O recente embate entre o SC Braga e o Benfica, ocorrido há dois dias, foi um espetáculo ao nível dos melhores campeonatos, como o inglês, caracterizado por um jogo apaixonante, com poucas interrupções, uma eficácia notável de tempo de jogo, e uma arbitragem discreta e eficiente que enriqueceu a qualidade do evento.
Ignorando as estatísticas, é provável que Rui Costa tenha ficado satisfeito não apenas com a vitória, mas também com as informações valiosas que obteve sobre a equipa, que serão fundamentais nas contratações de janeiro, para colmatar as falhas devido a lesões ou erros de avaliação prévios.
A inconsistência do Benfica causa estranheza, e até o treinador não tem fornecido justificações convincentes. A equipa que teve maus resultados contra o Bessa, Casa Pia, Moreira de Cónegos e Farense é a mesma que bateu o FC Porto e o Sporting e recentemente venceu o SC Braga. Contra o Braga, poderiam ter ampliado a vantagem antes do intervalo, e João Mário desperdiçou uma grande oportunidade no início da segunda parte, optando por passar a bola ao invés de rematar.
Apesar de terem passado por momentos de aperto, o Benfica demonstrou união e coragem, características que vinham sendo discretas. A equipa criou muitas oportunidades, mas pecou na finalização, e mesmo pressionada, mostrou determinação e coesão.
Se tivesse mantido este desempenho desde o início da época, o Benfica já estaria nos oitavos de final da Liga dos Campeões.
Ainda há ajustes a fazer, especialmente nas alas. A equipa mostra desequilíbrio ofensivo, pendendo para o lado direito, e defensivamente surgem problemas em ambos os flancos, com Morato e Aursnes mostrando fragilidades distintas. Bruma não conseguiu explorar estas falhas.
Roger Schmidt fez mudanças arriscadas ao retirar Rafa Silva e Di María, uma decisão que poderia ter sido questionada se o Braga tivesse empatado. Isso levanta dúvidas sobre as opções do banco de suplentes do Benfica.
Antes do clássico de Alvalade, este jogo entre SC Braga e Benfica será lembrado como um exemplo de futebol de alta qualidade. Apesar do resultado desfavorável para o Braga, é inegável o sucesso do projeto de António Salvador, que transformou o clube num nome respeitado na Europa.
A equipa de Artur Jorge, que abriu o marcador com Tengstedt, privilegia um futebol ofensivo, o que tem os seus custos, como observou José Nuno Azevedo, destacando falhas nos processos defensivos do Braga.
